segunda-feira, outubro 10, 2011


 Óleo de Coco Virgem

Por: Renata Carrano - Nutricionista
CRN: 20.171

A palavra coco significa “face de macaco” e tem origem na semelhança observada, por navegadores portugueses e espanhóis, entre a base da fruta e a face de um macaco. Entretanto, a fruta dessa palmeira (Cocos nucifera) é conhecida há centenas de anos pelos nativos do sul da Ásia e do sul do Pacífico, onde é chamada de “Árvore da Vida”, devido à extensa lista de produtos e subprodutos obtidos das suas diversas partes1. 
O óleo refinado é tipicamente obtido do coco seco, chamado de copra. O coco geralmente é seco ao sol ou defumado. O óleo obtido a partir de copra é impróprio para o consumo humano e precisa ser refinado. Elevadas temperaturas e solventes químicos são utilizados neste processo de refinação. O óleo de coco virgem é obtido a partir de cocos frescos, chamados não-copra. Como elevadas temperaturas e solventes químicos não são empregados, o óleo mantém seus fitoquímicos naturais, responsáveis pelo suave sabor e aroma de coco encontrados no óleo virgem.  
Concluí-se que os efeitos superiores do óleo de coco virgem sobre o óleo de coco do tipo copra, são explicados pelos níveis de antioxidantes, que são mantidos nos óleos  que não receberam processamento (virgens). Idealmente, o óleo de coco deve ser comprovadamente virgem e preferencialmente orgânico.

Propriedades Termogênicas

O óleo de coco é uma fonte interessante de triglicerídeos de cadeia média (TCM).  A gordura de coco é, em média, 90% saturada, e 2/3 dos seus ácidos graxos são TCM. Os TCM são amplamente utilizados em tratamentos de síndromes de má absorção, devido à sua rápida absorção e solubilidade. Após absorção intestinal, os TCM são transportados diretamente para o fígado, através do sistema porta, onde são beta-oxidados aumentando a termogênese pós-prandial.
                         

 Composição de ácidos graxos do óleo de coco virgem

Nome comum
Composição (%)
Ácido  Capróico C6:0
0.1 – 0.7
Ácido Caprílico C8:0
4.0 – 10.0
Ácido Cáprico C10:0
4.0 – 8.0
Ácido Láurico C12:0
45.1 – 56.0
Ácido  Mirístico C14:0
16.0 – 21.0
Ácido Palmítico C16:0
7.5 – 10.2
Ácido Esteárico C18:0
2.0 – 5.0
Ácido Oleico C18:1
5.0 – 10.0
Ácido Linoléico C18:2
1.0 – 2.5

Fonte: Department of Agriculture. Philippine Coconut Authority7.
Hormônios incluindo a colecistoquinina, peptídeo YY, peptídeo inibitório intestinal, neurotensina e polipeptídeo pancreático, têm sido propostos como agentes atuantes nos mecanismos pelos quais os TCM induzem a saciedade.
Os TCM resistem bem ao aquecimento, porém recomenda-se que o OCV seja utilizado em preparações frias como saladas, incorporado a sucos, etc. a fim de preservar sua riqueza de antioxidantes. Pode também ser utilizado para finalizar pratos quentes. Essa mesma preocupação de preservar a capacidade antioxidante não se aplicaria aos óleos de coco refinados, que perdem seus antioxidantes durante o processo de refinamento. 

             Propriedades microbiológicas 

O óleo de coco é tido, tradicionalmente, como um interessante agente antimicrobiano. Ele é especialmente rico em ácido láurico, que pode responder por 50% dos TCM encontrados no coco. O metabólito funcional do ácido láurico é a monolaurina, que também possui ação imunomoduladora. A monolaurina é uma das principais substâncias com atividade antiviral e antibacteriana encontradas no leite humano.

                  Óleo de coco e estética

O óleo de coco é bastante utilizado com finalidades cosméticas em uma série de países. Seu uso como ingrediente abrange sabonetes, xampus, cremes e produtos de cuidado corporal em geral. Atua como um excelente hidratante, promove melhora da elasticidade cutânea e confere à pele uma aparência mais jovem e sadia.  Verifica-se que um produto virgem e orgânico garante o aporte de antioxidantes na pele sem conservantes e/ou substâncias químicas potencialmente alergênicas. Seu uso também é rotina para prevenção de estrias gravídicas em diversas regiões da Ásia.

     


 Contra-indicações e efeitos colaterais

O óleo de coco virgem é um alimento com baixo potencial alergênico e, de uma maneira geral, não possui contra-indicações. O efeito colateral mais comumente descrito é a diarréia, que cede facilmente com a continuidade do uso. O uso em indivíduos diabéticos é permitido, e inclusive foram relatados benefícios na utilização de TCM em pacientes diabéticos do tipo II com sobrepeso, com resultados significantes na redução de peso, redução da circunferência abdominal e melhora da resistência insulínica).

Dicas da Nutri:   

Dez motivos para consumir o óleo de coco extra virgem
1 - Ação ANTIOXIDANTE – Colabora na diminuição da produção de radicais livres. Isso se deve principalmente à ação direta da vitamina E presente na gordura de coco extra virgem, composta por oito frações desta vitamina; quatro tocotrienóis (alfa, gama, delta e teta) e quatro tocoferóis (alfa, gama, delta e teta).
2 – COLESTEROL – Ajuda na redução do mau COLESTEROL (LDL) e evita que ele se oxide. Por outro lado, promove a elevação do bom COLESTEROL (HDL), contribuindo assim na prevenção e no tratamento das doenças cerebrais e cardiovasculares.
3 – Colabora no processo do EMAGRECIMENTO – De fácil absorção, a gordura de coco é a melhor fonte de triglicerídeos de cadeia média, não necessita de enzimas para sua digestão e metabolismo. No fígado, estes triglicerídeos rapidamente se transformam em energia, desta maneira não se depositam no organismo. Por isso ela é considerada “termogênica”, ou seja, capaz de gerar calor e queimar calorias. Esta propriedade, aliada a capacidade que a gordura de coco tem de estimular a glândula tireóide, aumenta o metabolismo basal e consequentemente emagrece.
4 – Melhora o sistema IMUNOLÓGICO – Age na prevenção e no combate aos VERMES, BACTÉRIAS e FUNGOS, restabelecendo a energia “roubada” por estes agentes. Consequentemente melhora a absorção dos nutrientes, aumentando todas as defesas do organismo.  A gordura de coco apresenta a maior concentração de ácido láurico entre todas as gorduras vegetais; em outras palavras, é o mesmo ácido graxo presente no leite materno.
5 – Regula a FUNÇÃO INTESTINAL – Tanto nos casos de prisão de ventre ou mesmo nas diarréias, os componentes da gordura de coco agem normalizando as funções intestinais. Ao mesmo tempo o ácido láurico, através do monolaurina, ajuda a eliminar as bactérias patogênicas (inimigas), protegendo e favorecendo o crescimento da “flora amiga”.
6 – Melhora o funcionamento da TIREOIDE, tendo ainda ação antienvelhecimento – Estudos realizados há mais de 30 anos comprovaram que a gordura de coco estimula a função da glândula tireóide. O bom funcionamento da tireóide faz com que especificamente o mau colesterol (LDL), através de processo enzimático, produza os hormônios antienvelhecimentos: pregnenolona, progesterona e DHEA (dehidroepiandrosterona). Todas estas substâncias são necessárias na prevenção de doenças cardiovasculares, senilidade, obesidade, câncer, entre outras doenças crônicas relacionadas à idade.
7 – Ação COSMÉTICA – A maioria das loções e cremes comerciais é constituída predominantemente de água. Estas preparações úmidas são rapidamente absorvidas pela pele seca e enrugada. Em poucas horas a água é absorvida e levada para a corrente sanguínea e, tanto a secura como as rugas reaparecem. Além de não resolver o problema de hidratação e das rugas, estes cremes ou óleos refinados estão quase sempre oxidados, trazendo consigo uma montanha de radicais livres, que agravam cada vez mais o tecido elástico da pele tornando-a mais envelhecida.
A gordura de coco pode ser aplicada diretamente sobre a pele e mesmo nos cabelos, funcionando com um “condiocinador” natural, para isso é só massagear os cabelos com 1 colher das de sobremesa antes do banho. Além de hidratar a pele e não conter radicais livres, previne rugas numa verdadeira ação antienvelhecimento. Isto se deve a “lubrificação” da pele, permitindo que os nutrientes do sangue cheguem até ela.
8 – Ação dermatológica – Além do poder bactericida na pele, pode ser utilizada como cicatrizante de feridas, picadas de insetos, alívio em queimaduras e, sobretudo nos eczemas e dermatites de contato, bem como no tratamento do herpes e candidíase.
9 – Diabéticos – Controla a compulsão por CARBOIDRATOS – Assim como os alimentos ricos em fibras ajudam a manter níveis estáveis de insulina no sangue, conseqüentemente facilitando a vida dos diabéticos, a gordura de coco proporciona uma sensação de saciedade ainda maior e, acima de tudo não estimula a liberação de insulina, contribuindo desta forma para diminuir o “craving” compulsão por carboidratos, principalmente a doces. Contrário aos demais óleos poliinsaturados que dificultam a entrada da insulina e nutrientes para dentro das células, deixando-as literalmente “famintas”, a gordura de coco “abre as suas membranas”, não somente permitindo que os níveis de glicose e insulina se normalizem, como também melhorando sua nutrição, restabelecendo os níveis normais de energia.
10 – Fadiga crônica e fibromialgia  - Hoje, a gordura de coco extra virgem talvez seja uma das melhores soluções para combater a síndrome da fadiga crônica e fibromialgia.
Os ácidos gordurosos de cadeia média, sobretudo o láurico, podem eliminar vírus como os do herpes e epstein-barr, que se acredita sejam os grandes responsáveis por estas entidades. Combate e ajuda eliminar cândida, giárdia e ameba. Ainda eliminam uma grande quantidade de vírus, bactérias e até mesmo certos vermes que podem estar relacionados à estas duas patologias.
A grande maioria dos médicos acreditam que não é um único tipo de vírus ou bactéria os responsáveis pela síndrome da fadiga crônica e, mesmo da fibromialgia, mas sim, a combinação de vários agentes e fatores. Nestas condições a gordura de coco age neutralizando uma gama enorme destes agentes infecciosos. Melhora o sistema imunológico, elimina o estado de estresse sofrido por ele. Enfim, por aumentar nosso metabolismo e por recuperamos nossa energia plena, nos sentimos “mais jovens.
                          

Referências Bibliográficas
1.      BRUCE, F. The Coconut Oil Miracle. New York: Avery, 2004.
2.      KABARA, J.J. Health oils from the tree of life. Disponível em <http://www.coconutresearchcenter.org/article10341.pdf>. Acesso em 23/12/2007.
3.      DAYRIT, C.S. The truth about coconut oil: the drugstore in a bottle. Pasig City: Anvil, 2005.
4.      NEVIN, K.G.; RAJAMOHAN, T. Virgin coconut oil supplemented diet increases the antioxidant status in rats.  Food Chemistry; 99(2):260-266, 2006.
5.      NEVIN, K.G.; RAJAMOHAN, T. Influence of virgin coconut oil on blood coagulation factors, lipid levels and LDL oxidation in cholesterol fed Sprague–Dawley rats. e-SPEN Eur e-J Clin Nutr Metabol; 3(1): e1-e8, 2008.
6.       NEVIN, K.G.; RAJAMOHAN, T. Beneficial effects of virgin coconut oil on lipid parameters and in vitro LDL oxidation. Clin Biochem; 37(9):830-835, 2004.
7.      DEPARTMENT OF AGRICULTURE. PHILIPPINE COCONUT AUTHORITY. Coconut – Tree of life. Disponível em: <http://pca.da.gov.ph/tol.html#>. Acesso em 16/06/2008.
8.      ASIAN AND PACIFIC COCONUT COMMUNITY. Coconut oil. Disponível em: <http://www.apccsec.org/index.html>. Acesso em 03/05/2008.
9.      CODEX ALIMENTARIUS. Codex Alimentarius Volume 8: Codex Standard for Named Vegetable Oils (Codex-Stan 210). FAO/WHO Joint Publications, 1999.
10.  USDA AGRICULTURAL RESEARCH SERVICE. Nutritional Facts. Disponível em: <http://www.nal.usda.gov/fnic/foodcomp/search/>. Acesso em 11/05/2008

Renata Carrano CRN 20.171
Rua: Pará, 350 - Consolação - São Paulo - SP
Tel: 55 (11) 3237-2776
           

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